Revista Marxismo Vivo – Português N° 13

Esta nova edição de Marxismo Vivo tem como um de seus temas centrais a situação na América Latina. Fechávamos esta edição quando um aconteci mento politico se transformou na principal noticia no mundo todo. Justamente na América Latina, na Bolivia, o governo de Frente Popular, encabeçado por Evo Morales, nacionalizou a exploração do gás e do petróleo.

Este acontecimento praticamente resume a situação da América Latina. Evo Morales, buscando respaldo popular para seu govemo, foi forçado a tomar uma medida de caráter anti-imperialista. Aliás, não se pode esquecer que os trabalhadores e o povo boliviano, por meio de uma revolução, derrubaram dois presidentes, exigindo justamente a nacionalização do gás e do petróleo

As grandes potências imperialistas ficaram preocupadas, não tanto pelos prejuizos econômicos da medida, mas pelo temor de que ela possa extender-se a outras áreas e outros países. Quem está mais preocupado com essa medida de Evo Morales não é uma potência imperialista, mas o governo de um pais completamente dominado por essas potências. Nos referimos ao governo Lula, do Brasil, que, como ponta de lança do imperialismo na região, intervem como mediador político e é um investidor fundamental em vários países da área, entre eles a Bolivia. O Brasil tem as maiores inversões na Bolivia nas áreas nacionalizadas e é quem mais depende do gás boliviano para o funcionamento de sua indústria

Quanto a Evo Morales, depois de tomar essa medida extrema, está fazendo enormes esforzos para buscar uma saída negociada, radicalizando seu discurso dentro do país e suavizando-o fora dele. Imediatamente começou a negociar os preços com o Brasil e a Argentina, com o compromisso de que o fomecimento de gás não será interrompido. Uma estranha forma de negociar para quem agora tem o controle da segunda maior reserva de gás da América Latina

Poderá Evo Morales “ficar de bem com Deus e com o diabo” por muito tempo? Esse é seu objetivo, mas não está claro que o poderoso movimento de massas boliviano vá permitir isso. Com certeza, a próxima edição de Marxismo

Vivo terá muitas páginas destinadas a analisar esse processo que ocorre na Bolivia e que certamente será acompanhado, com muita atenção, por todos os lutadores no mundo inteiro

 


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