Revista Marxismo Vivo – Português N° 21

Essa edição da Martises Vus dedica seu Dossiê aos 30 anos da revolução nicaraguense, fato esse que abriu uma nova situação revolucionária em toda a América Central em 1979 e despertou grande entusiasmo no movimento de massas mundial. Mas, em uma década, esse entusiasmo transformou-se em decepção. A revolução centro-americana foi desviada e derrotada, contribuindo para o ceticismo que tomou conta da vanguarda lutadora.

Hoje, uma nova situação mundial revolucionária, a eclosão da crise econômica que questionou o discurso triunfal do neoliberalismo e mostrou as calamidades do sistema capitalista-imperialista e também uma nova situação na América Central colocaram de novo no centro da cena politica as mesmas correntes que estiveram à cabeça das guerrilhas dos anos 70 e 80. Desta vez, não pela ação armada contra as antigas ditaduras, mas como alternativas eleitorais. Saindo das trincheiras há anos, a FSLN e a FMLN ocupam hoje os palácios de governos da Nicarágua e El Salvador.

Nesse marco, Honduras está na ordem do dia. Esse país, que era a base de apoio do imperialismo para atacar as guerrilhas e o governo sandinista nos anos 80, hoje passa por um golpe militar. Apoiada na cúpula das Forças Armadas, e com o apoio da Igreja e dos partidos mais importantes, a oligarquia derrubou o governo eleito de Zelaya. As massas saíram às ruas, enfrentando o golpe. Mas, para derrotá-lo é fundamental que essa mobilização seja independente da política de dirigentes como Zelaya e seus aliados chavistas. Uma mobilização corajosa vem crescendo quando escrevemos essas linhas, e pode abrir uma situação mais avançada da luta de classes em toda a região. Para informar nossos leitores, publicamos a declaração da LIT sobre Honduras.

As eleições européias no Estado espanhol demonstraram que não é somente na América Central que existem regimes ditos democráticos, mas com alto grau de bonapartismo e de opressão sobre as nacionalidades. Nesta edição da Marxismo Vas trazemos artigos que explicam a natureza desse regime e o processo da Iniciativa Internacionalista-Solidariedade entre os Povos, uma frente que questionou a monarquia e suas leis discriminatórias, além de dar uma alternativa à vanguarda operária das lutas. Quando fechávamos esta edição, o centro de outra revolução que sacudiu o mundo há 30 anos despertava: o Irã. As massas nas ruas protestavam contra uma fraude nas eleições controladas pelo regime autoritário. De tão fortes, as manifestações recordaram a revolução contra o Xá em 1979.

Ao contrário do que disseram várias correntes de esquerda, que se apressaram em apoiar a ação do regime em nome de uma suposta defesa contra um ataque do imperialismo, reivindicamos essa ação das massas iranianas contra a ditadura dos aiatolás e dizemos que os trabalhadores devem colocarse a favor dessa mobilização. Para romper com o imperialismo, não se pode confiar na burguesia ou na hierarquia sita, e sim na força dos trabalhadores, da juventude, das mulheres e das nacionalidades oprimidas que enfrentam esse regime. Essa é uma discussão que nossa revista deverá abordar em próximas edições.

 


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