Revista Marxismo Vivo – Português N° 22

Este número de Marxismo Vivo sai quando a preocupação com as guerras que o imperialismo trava no Oriente Médio vai tomando as manchetes da imprensa burguesa e os grandes telejornais. Naquela região do mundo, há 30 anos a revolução iraniana abalou a ordem e deu origem a uma nova corrente nacionalista islâmica. Também há 30 anos, a invasão soviética ao Afeganistão colocou toda a região em uma situação de grande instabilidade e desencadeou uma grave crise no interior do então Estado operário burocrático, mudando o panorama da situação mundial, com uma série de consequências políticas que se estendem até hoje.

Em 2009, 30 anos depois, a situação política e militar da região é o centro dos problemas e das preocupações atuais do imperialismo americano no mundo. Isso porque depois de ser golpeado pela resistência das massas, e ser obrigado a mudar de política e tentar uma saída do Iraque, os Estados Unidos continuam lutando duas guerras ao mesmo tempo. No Afeganistão, o governo de Barack Obama vive o dilema de incrementar a escalada militar, num processo em que sua situação só piora e cujas consequências no próprio moral do Exército dos EUA vêm sendo dramáticas, como atestam os informes sobre suicídios e o recente tiroteio na base de Fort Hood nos EUA. Os governos europeus que participam com peso das tropas de ocupação, através da OTAN, têm problemas crescentes pela oposição cada vez mais acirrada de suas populações a essa guerra, assim como piora a situação de Obama internamente para sustentar a ocupação.

O outro grande fato que atravessou o último periodo foi o golpe em Honduras e a resistência a ele. Houve um posicionamento generalizado de toda a esquerda contra o golpe; no entanto, não havia acordo sobre a caracterização e a política para a resistência. Uma polêmica se instalou no interior da esquerda: se a orientação do imperialismo norte-americano era a mesma dos anos 70 de apoiar todo tipo de golpes militares na América Latina ou estávamos diante de uma nova tática imposta pela realidade. Se Obama expressa ou não uma nova tática política resultante da derrota de Bush, a da reação democrática. Essa nova tática não é menos perigosa que a de Bush, pois trabalha com o engano e a colaboração das direções para atacar os trabalhadores, para implementar seus planos de colonização e dominação dos povos e das riquezas de todo o mundo. Essa polêmica tem muita importância pela consequência na política que dela decorre, como se vê na traição de Zelaya a luta da resistência hondurenha a partir de sua colaboração com a negociação patrocinada pelo imperialismo e governos latino-americanos. Dedicamos a esse tema dois artigos na seção Ano 2009.

Nossa revista tem como objetivo as discussões teóricas, programáticas e políticas sobre os grandes temas da atualidade à luz do marxismo. Acreditamos que os debates sobre esses temas serão de interesse para nossos leitores.

 


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