Revista Marxismo Vivo – Português N° 5

Milhares de pessoas foram às ruas na Argentina para enfrentar o governo. Outros tantos fizeram o mesmo em Caracas contra o golpe de estado preparado nos EUA. Mais de 300 mil pessoas ocuparam as ruas de Barcelona. Dois milhões se manifestaram na Itália contra as reformas trabalhistas do governo Berlusconi, e depois fizeram uma greve geral. O poderoso exército de Israel não consegue acabar com a Intifada palestina. A juventude francesa ocupa as ruas de Paris contra o ultradireitista Le Pen. Mais de um milhão de pessoas no Marrocos e na Síria se solidarizaram com o povo palestino.

Tudo isto ocorreu nos últimos quatro meses.

Há vários anos não ocorria, em tão curto espaço de tempo, ações tão massivas. Depois da ofensiva contra-revolucionária do imperialismo a partir dos atentados de 11 de setembro, as massas, com suas ações, voltam a ser as grandes protagonistas dos principais acontecimentos políticos e, com isso, con seguiram importantes vitórias.

Os argentinos derrubaram, de forma direta, seu governo. Os venezuelanos conseguiram algo que poucas vezes as massas conseguiram na história: abortar um golpe depois que ele havia triunfado. Os italianos fizeram uma greve geral depois de vinte anos. A juventude francesa, aprendendo com as trágicas experiencias do passado, se antecipa ao fascismo e se mobiliza antes que seja tarde.

Este protagonismo das massas atualiza experiências do passado e traz à tona antigos debates estratégicos.

O conceito de revolução socialista, que muitos entenderam como utópico, fez-se tremendamente presente e concreto, frente ao colapso do capitalismo argentino. Um tema abordado em Marxismo Vivono 3, a destruição do Estado de Israel para dar lugar a uma Palestina laica, democrática e não-racista (uma perspectiva que até pouco tempo também parecia utópica) com a Intifada palestina e com os continuos massacres sionistas, tornou-se a mais realista das exigencias para conseguir a paz no Oriente Médio.

As palavras soviet, organismo de poder dual, ccomuna, se reincorporaram ao vocabulário da vanguarda na Argentina.

Velhas polémicas sobre o papel da palavra de ordem de Assembléia Constituinte na revolução, que são abordadas neste novo número de Marxismo Vivo, sairam dos livros clássicos do marxismo para incorporar-se em cheio ao atual debate sobre os rumos da revolução argentina

E a volta ao passado? Não! É a ação das massas iluminando o futuro

 


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