Revista Marxismo Vivo – Português N° 9

A manchete do número anterior de Marxismo Vivo perguntava: Iraque: um NOVO Vietna para os Estados Unidos? Em outras palavras: a principal potência econômica e militar do planeta será novamente derrotada pelas massas de um país do Terceiro Mundo?

Nos meses transcorridos desde a última edição de nossa revista até agora, esta possi bilidade deixou de ser levantada por uns poucos e passou a aparecer nas páginas dos principais jornais do mundo e inclusive na boca de importantes políticos americanos.

Só de pensar na possibilidade de que o Iraque se transforme em um novo Vietnå deixa em pânico os poderosos do mundo e enche de alegria milhões de lutadores antimperialistas.

Mas, no momento em que estamos publicando esta nova edição de Marxismo Vivo, possivelmente estejamos não só frente a essa possibilidade senão ante o início de um fato de relevancia histórica: a própria derrota do imperialismo norte-americano.

O chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, general Richard Myers, declarou perante o senado americano: “Não temos como vencer militarmente no Iraque”. Este tipo de posição é o que explica as nervosas negociações do governo dos EUA tentando comprometer a ONU e a OTAN na guerra. O governo americano, evidentemente, não precisa de respaldo militar mas sim de respaldo político. Mesmo que possivelmente não sirva para ganhar a guerra, pode servir para amenizar os efeitos da derrota.

Os sinais de derrota não estão somente nas centenas de soldados americanos mortos no Iraque. Também aparecem em outros paises: na Espanha, Aznar, colabora dor direto de Bush, foi derrotado nas eleições, na Itália, o partido de Berlusconi, outro aliado dos EUA na guerra, só conseguiu 22% dos votos nas recentes eleições, na Inglaterra, o Partido Trabalhista de Blair, o cão de guarda de Bush, sofreu uma derrota espetacular nas eleições municipais (ficou em terceiro lugar) e nos EUA as pesquisas eleitorais indicam que Bush muito provavelmente será derrotado nas próximas eleições presidenciais.

No entanto, a vitória das massas iraquianas não está garantida, por uma razão muito simples. Como ainda não conseguiram construir uma direção revolucionária, essa vitória está ameaçada. Por exemplo, os jornais do mundo todo têm destacado corretamente o papel do líder religioso xiita, Al Sadr, que está incentivando o enfrentamento armado contra as forças de ocupação, mas, este líder religioso, ao não ser revolucionário, não pode levar até o fim o combate contra o imperialismo. Já fez uma declaração reconhecendo o novo governo interino “iraquiano”, que não passa de um fantoche das forças de ocupação

Como diziamos anteriormente, este número de Marxismo Vivo desenvolve, centralmente, dois temas. Por um lado, várias questões referentes ao Iraque e, por outro, um tema que diz respeito ao Iraque e ao restante do mundo: a construção da direção revolucionária a partir dos ensinamentos que nos deixou o grande dirigente da Revolução Russa, Lenin. Em 2004 se completam 80 anos de sua morte. Muitos povos souberam aprender com a experiência da revolução russa e de seu máximo lider. Nossa modesta intenção é tentar ajudar a que isso se dê também no Iraque.

 


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